Alianças marítimas redesenham a capacidade global de transporte de cargas

As alianças marítimas globais passaram a definir a estrutura da capacidade no transporte oceânico de cargas. A reorganização entre os principais armadores afeta rotas, escalas portuárias, confiabilidade dos serviços e a posição negocial dos embarcadores. O movimento ocorre em meio à reconfiguração de grandes acordos, como o fim da 2M, formada por Maersk e MSC, e o avanço da Gemini Cooperation entre Maersk e Hapag-Lloyd.

A nova Gemini Cooperation começou a operar em fevereiro de 2025. A rede integra centenas de navios e tem como meta declarada uma confiabilidade de programação acima de 90% após a fase final de implantação. Por outro lado, a MSC seguiu de forma independente após o fim da 2M.

Já a Premier Alliance surgiu da reestruturação da THE Alliance e reúne ONE, HMM e Yang Ming. A Ocean Alliance permanece como força relevante nas rotas leste-oeste. Dessa forma, o mapa operacional dos embarcadores foi profundamente alterado.

Capacidade marítima é gerida rota a rota

Os dados recentes mostram que a capacidade global não funciona mais como mercado único. O índice World Container Index, da Drewry, recuou para US$ 2.232 por contêiner de 40 pés no fim de abril de 2026. No entanto, o comportamento variou por trecho.

As rotas Ásia-Europa e Mediterrâneo registraram queda nos fretes. Enquanto isso, as rotas Transpacífica e Transatlântica avançaram. Além disso, a Drewry projetou cerca de 54 blank sailings, ou viagens canceladas, em um período de cinco semanas, sobre 689 partidas previstas.

A taxa de cancelamentos foi de 8% nas principais rotas leste-oeste. A concentração ocorreu especialmente na Transpacífica no sentido leste. Consequentemente, os embarcadores não enfrentam um único mercado, mas exposições específicas em cada par de portos.

Diversificação de transportadores não garante diversificação de rede

A análise destaca que múltiplos contratos com armadores diferentes podem mascarar a real redundância logística. Vários transportadores podem operar dentro da mesma aliança, compartilhar navios, usar as mesmas escalas e cancelar viagens de forma coordenada.

Nesse sentido, a diversificação de fornecedores não corresponde, necessariamente, à diversificação de rede. Os embarcadores precisam mapear quais alianças sustentam cada serviço contratado, quais portos têm escala direta e quais rotas exigem transbordo.

Os blank sailings transferem o custo do frete para o estoque. Dessa forma, cancelamentos geram demanda por estoque de segurança, frete premium e ajustes em cadeias de suprimentos. Portanto, a variabilidade no transporte se converte em política de inventário e impacta o custo total da operação.

Esta matéria utiliza a fonte de Logistics Viewpoints como base para a construção do conteúdo.

Foto: Reprodução 

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