Primeiro sedã totalmente elétrico da montadora italiana esgotou no mercado chinês mesmo após queda das ações em Milão e críticas ao design. Modelo enfrenta rivais locais mais baratos e mais potentes, mas venceu pelo prestígio da marca.
A Ferrari virou o jogo em duas frentes ao mesmo tempo. Após ver suas ações caírem diante da reação negativa ao design do Luce, seu primeiro modelo 100% elétrico, a montadora italiana teve todas as 88 unidades destinadas à China reservadas praticamente na largada. As informações são da Exame Invest.
Apresentado em Roma no fim de maio, o Luce chegou ao mercado chinês por 3.988.000 iuanes, cerca de R$ 3,04 milhões ou US$ 586,6 mil. O valor é aproximadamente 7% inferior ao praticado na Europa, uma vantagem incomum diante da tributação chinesa sobre bens de luxo.
Marco duplo e polêmica
O Luce carrega dois marcos históricos para Maranello. É o primeiro sedã de produção regular e também o primeiro carro totalmente elétrico da marca. A ruptura estética foi o alvo das críticas, já que o modelo tem quatro portas, cinco lugares e assinatura de design de Jony Ive, ex-Apple. O ex-presidente Luca di Montezemolo chegou a sugerir publicamente que o carro deveria ser lançado sem o emblema tradicional.
Mesmo assim, o CEO Benedetto Vigna já havia sinalizado à Bloomberg que a demanda estava forte. Segundo o executivo, as encomendas globais estão esgotadas até 2027.
Prestígio vence a ficha técnica
Nas especificações, o italiano fica atrás dos rivais locais. O Luce entrega 1.050 cv, acelera de zero a 100 km/h em 2,5 segundos e tem autonomia superior a 530 km. O BYD Yangwang U9 custa metade, entrega 1.287 cv e acelera em 2,36 segundos. Já o GAC Hyptec SSR parte de US$ 189,2 mil, permitindo comprar três unidades pelo preço de um Luce.
Para analistas do setor, pouquíssimos dos 88 compradores chineses realmente compararam ficha técnica. Nesse recorte de altíssimo poder aquisitivo, o Luce vale menos como carro e mais como símbolo de status. A Ferrari posiciona o modelo como um Gran Turismo elétrico de cinco lugares, combinando uso diário com o prestígio de Maranello.
O caso mostra que, mesmo com a evolução agressiva dos fabricantes chineses, marcas europeias de luxo ainda sustentam prêmio de preço quando entregam algo que a concorrência local não consegue replicar, um século de história e o próprio símbolo do cavalo rampante.
Fonte: Exame Invest