Pão de Açúcar tem plano homologado e Casas Bahia ainda espera decisão

Justiça de São Paulo homologou a recuperação extrajudicial de R$ 4,57 bilhões do dono do Pão de Açúcar.
A Casas Bahia pediu recuperação judicial em agosto, com R$ 17,3 bilhões em dívidas.

A Justiça de São Paulo homologou nesta quarta-feira (7) o plano de recuperação extrajudicial do GPA, dono do Pão de Açúcar, do Extra e do Minuto Pão de Açúcar. O acordo reorganiza R$ 4,57 bilhões em dívidas financeiras. Credores com 57,49% da dívida assinaram o plano, acima do mínimo exigido em lei. Quem não escolher uma opção cai na alternativa mais dura, com corte de 70% e pagamento em dinheiro somente a partir de 2032.

O custo da operação é de CDI mais 1,8% ao ano, com prazo médio de 2,1 anos. Além disso, o plano prevê R$ 200 milhões em dinheiro novo.

Pedido de março enfrentou resistência

O GPA protocolou o pedido em março. Desde então, o Ministério Público paulista e parte dos credores contestaram o plano. A homologação encerra essa fase.

Fornecedores de mercadorias e prestadores de serviços ficaram fora do acordo. Dessa forma, eles seguem recebendo em dia. Já a Casas Bahia pediu recuperação judicial em agosto, com R$ 17,3 bilhões em dívidas. A Justiça ainda não decidiu se o processo segue adiante.

Perícia mostra aperto na Casas Bahia

Uma perícia judicial revela o tamanho da pressão sobre a varejista. O estoque dado em garantia ficou 40,5% menor entre abril e agosto.

No mesmo período, o quadro de funcionários perdeu 4.647 pessoas. A rede também fechou 298 lojas.

Há ainda um detalhe que liga os dois casos. A Casas Bahia aparece entre os credores do GPA.

Fôlego ainda é incerto

Resta saber se o fôlego será suficiente. A própria Casas Bahia fez uma recuperação extrajudicial em 2024, de R$ 4,1 bilhões. Dois anos depois, precisou recorrer à judicial.

Na Casas Bahia, os fornecedores representam 51% dos credores e entram na fila do processo. Portanto, o risco para quem vende ao varejo muda conforme o caso. Para esse público, a pergunta deixou de ser se o cliente está em crise. Agora, importa saber em qual processo ele está.

O acordo do Pão de Açúcar não encerra a história. Ele é a versão do problema que ainda permite negociação. A Casas Bahia mostra a outra, em que a mesma ferramenta não bastou dois anos antes.

Esta matéria utiliza a fonte de Times Brasil como base para a construção do conteúdo.

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