Copom se reúne hoje e mercado já vê corte de junho como o último da Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira (16 e 17 de junho) para definir o rumo da taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A expectativa majoritária do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando os juros a 14,25%. Mas o consenso para o que vem depois virou.

Bancos como BofA, Goldman Sachs, BNP Paribas e Itaú já convergem para o mesmo diagnóstico: se houver corte em junho, ele deve ser o último do ciclo. A pausa, na visão dessas instituições, pode se estender até meados de 2027.

O Goldman Sachs apontou 40% de probabilidade de o Copom nem cortar os juros desta vez, dado o cenário inflacionário. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,72% em maio, ultrapassando o teto da meta de 4,5%. É a 14ª semana consecutiva em que o mercado revisa a projeção de inflação para cima.

O Focus mais recente projeta o IPCA em 5,30% para 2026 e a Selic encerrando o ano em 13,75%. Para 2027, a estimativa de juros subiu de 11,50% para 12% ao ano.

Os fatores que travam a queda dos juros são múltiplos. O conflito no Oriente Médio pressiona os preços de energia. Os estímulos fiscais e de crédito do governo sustentam a demanda interna e atrasam o ajuste da atividade. O PIB do primeiro trimestre de 2026 surpreendeu com alta de 1,1%, mas a composição foi considerada “pouco convincente” por analistas, com crescimento ligado mais a políticas públicas do que a uma reaceleração sustentável.

Para setores dependentes de crédito, como logística, infraestrutura e agronegócio, a sinalização de juros elevados por mais tempo é um dado relevante no planejamento dos próximos 12 a 18 meses.

Prédio do Banco Central do Brasil | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

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