Porto do Pecém ativa sistema de shore power inédito no Brasil

O Porto do Pecém vai inaugurar em setembro o primeiro sistema de shore power do Brasil. A tecnologia permite que navios atracados desliguem os motores a diesel e utilizem energia elétrica fornecida diretamente pelo porto.

O projeto recebeu investimento de R$ 13 milhões. Toda a eletricidade terá certificação de origem renovável (I-REC), com energia eólica e solar contratada junto à Casa dos Ventos. A estimativa é evitar a emissão de cerca de 796 toneladas de CO₂ por ano.

A novidade foi apresentada durante a feira Multimodal Nordeste 2026, realizada no Recife na última semana.

“Estamos nos antecipando ao mercado. Muitos navios mais novos já vêm preparados para essa conexão elétrica e alguns armadores já demonstraram interesse em utilizar a solução assim que ela entrar em operação”, afirma Raul Viana, gerente de negócios portuários do Porto de Pecém.

Infraestrutura para receber a Transnordestina

Além do shore power, o Pecém prepara uma nova estrutura para receber cargas da Ferrovia Transnordestina, cuja chegada ao complexo está prevista para 2028.

A conexão ferroviária pode acrescentar, de forma gradual, até 6 milhões de toneladas por ano à movimentação do porto, que atualmente gira em torno de 21 milhões de toneladas anuais, com destaque para grãos e minérios.

Para viabilizar esse volume, o porto construirá um novo berço de atracação com cerca de 350 metros de extensão, ampliando a capacidade operacional do Terminal de Múltiplas Utilidades (Temute).

A ferrovia não chegará diretamente ao cais. Os trens descarregarão as cargas em um terminal na retroárea administrado pela Nelog. De lá, esteiras transportarão os produtos até os navios.

As obras terão responsabilidades divididas: o porto executa o berço, a dragagem, as fundações e as adaptações hidráulicas e elétricas. Os operadores privados cuidam da superestrutura, dos equipamentos e das máquinas.

Grãos do Matopiba como principal carga

Nos primeiros anos de operação, os granéis agrícolas devem liderar o fluxo pela Transnordestina. A carga virá principalmente do Matopiba, saindo de Eliseu Martins (PI), passando por Salgueiro (PE) até o Ceará.

Segundo Raul Viana, a ferrovia tem foco em soja e milho, mas também abre oportunidade para minério de ferro, algodão, gesso e cargas conteinerizadas.

Novos investimentos no Complexo do Pecém

Enquanto amplia a infraestrutura logística, o Pecém também atrai novos projetos industriais. Seis pré-contratos já foram assinados na área de hidrogênio verde, com início de operação previsto para 2030.

Na frente de data centers, OMNIA e TikTok estão entre as empresas com projetos em andamento. Os investimentos totais podem alcançar R$ 200 bilhões ao longo de quatro fases, sendo R$ 66 bilhões na primeira etapa.

O complexo ainda receberá nova tancagem da TMB (Grupo Dislub) para gasolina, diesel, QAV e etanol, um terminal de GLP e uma usina termelétrica da Eneva movida a GNL, com investimento estimado em R$ 6 bilhões.

Contêineres com crescimento moderado em 2026

O terminal projeta crescimento entre 4% e 5% na movimentação total em 2026, ritmo menor que os 25% de alta registrados em 2025, quando a rota marítima direta entre Ceará e Ásia se consolidou.

A conexão com a Ásia ampliou as importações de eletrônicos, pneus, plásticos, alimentos e componentes, com parte das cargas seguindo para a Zona Franca de Manaus.

Foto: Divulgação/CIPP

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