Francis Halzen recebe o Nobel por suas contribuições ao IceCube, revolucionando a astronomia com a detecção de neutrinos cósmicos.
Em 6 de outubro de 2026, a Real Academia Sueca de Ciências concedeu o Prêmio Nobel de Física a Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin–Madison, por suas contribuições significativas ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Essa conquista marca um avanço importante na astronomia moderna.
Os neutrinos, partículas quase sem massa e sem carga elétrica, são conhecidos como as partículas mais “tímidas” do universo. Eles atravessam a Terra e o corpo humano sem interagir, com cerca de 65 bilhões deles do Sol passando pela unha do dedo mindinho a cada segundo. Neutrinos de alta energia, que originam-se em aceleradores cósmicos, não são desviados por campos magnéticos, tornando-se mensageiros diretos de eventos extremos no cosmos.
A ideia de Halzen de utilizar o gelo do Polo Sul como detector de neutrinos surgiu em 1988, quando ele, em parceria com John G. Learned, propôs que a colisão de um neutrino com um núcleo atômico geraria uma partícula carregada, que emite um clarão azul no gelo. Sensores enterrados no gelo registram essa luz, permitindo a localização da origem do neutrino.
IceCube: A Revolução na Detecção de Neutrinos
As primeiras tentativas de instalação de sensores no gelo do Polo Sul começaram em 1992 e resultaram no projeto AMANDA, precursor do IceCube. Os pesquisadores descobriram que, abaixo de 1.400 metros, o gelo é extremamente puro e transparente. O IceCube, concluído em 2011, ocupa um quilômetro cúbico de gelo e possui 5.160 sensores de luz distribuídos em 86 cabos, instalados a profundidades entre 1.450 e 2.450 metros.
O IceCube trouxe grandes descobertas, como em 2013, quando dois neutrinos de petaelétron-volts foram identificados, indicando a primeira evidência de neutrinos fora do Sistema Solar. Em 2017, um neutrino de 290 TeV foi associado ao blazar TXS 0506+056, levando a alertas para telescópios em todo o mundo. Em 2022, 79 neutrinos foram detectados vindo da galáxia ativa NGC 1068, e em 2023, a Via Láctea tornou-se a primeira fonte de neutrinos de alta energia a atingir o limiar estatístico de descoberta.
A importância dessas descobertas é significativa, pois os neutrinos oferecem uma nova maneira de investigar regiões do espaço que são invisíveis a outras formas de radiação. Esses estudos são cruciais para a compreensão de fenômenos como buracos negros supermassivos e explosões estelares. Mark Pearce, presidente do Comitê Nobel de Física, destacou que a visão e tenacidade de Halzen abriram caminhos para um novo tipo de astronomia, com planos para o IceCube-Gen2, um projeto ainda mais ambicioso.
Esta matéria utiliza a fonte: Space Today