Produção de açúcar no Nordeste deve crescer 10,3% na safra 2026/27

A produção de açúcar no Nordeste deve se recuperar na safra 2026/2027, com estimativa de 3,63 milhões de toneladas, volume 10,3% superior ao da safra anterior. A projeção é do Caderno Setorial nº 434 do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, publicado em maio de 2026.

Segundo o estudo, a recuperação será puxada pela maior oferta de cana-de-açúcar na região, com crescimento estimado de 3,7% na produção da matéria-prima, resultado de uma pequena expansão da área plantada (+1,3%) combinada com ganho de produtividade (+2,3%).

Tecnologia como fator decisivo

O estudo aponta que o rendimento médio da cana no Nordeste, de 59,8 toneladas por hectare na safra 2025/26, ainda é o menor do país. Para fechar essa lacuna, o setor tem investido em irrigação, mecanização da colheita e uso de bioinsumos, drones e remineralizadores de solo.

A Bahia é um exemplo do impacto da tecnologia: com uso intensivo de irrigação, o estado alcançou 87,9 toneladas por hectare na última safra e projeta o maior crescimento de área plantada entre os estados nordestinos (+14%), com aumento de 44,9% na produção de açúcar.

Na mecanização, Maranhão (77%), Bahia (72,4%) e Rio Grande do Norte (65,6%) lideram a colheita mecanizada na região. Alagoas e Paraíba também avançam, com perspectiva de atingir 43,8% e 36,2%, respectivamente. A escassez de mão de obra para o corte manual tem acelerado essa transição, apesar do relevo ondulado da Zona da Mata dificultar a operação.

Cenário global e impacto no Nordeste

O Brasil segue como maior produtor e exportador mundial de açúcar, respondendo por 24% da produção e 54% do comércio global. No entanto, para a safra 2026/27, projeta-se queda de 0,5% na produção nacional, já que o aumento dos preços do petróleo e a possível elevação da mistura de etanol na gasolina tornam o biocombustível mais atrativo para as usinas.

No Nordeste, o cenário é diferente. O etanol é menos competitivo frente à gasolina na região, o que favorece o direcionamento da cana para a produção de açúcar. Além disso, a cota tarifária da União Europeia para açúcar bruto de cana tende a beneficiar as usinas nordestinas. Alagoas e Pernambuco concentram mais de 70% da produção regional.

No mercado externo, as exportações nordestinas de açúcar em 2025 mantiveram volume praticamente estável, mas o faturamento caiu 19% devido à queda nos preços internacionais. O destaque foi a diversificação de mercados: houve redirecionamento de vendas para Argélia (+335% em volume), Mauritânia (+331%) e Georgia, compensando a retração nas exportações para EUA e Canadá.

Pontos de atenção

O estudo alerta para dois riscos. As fortes chuvas que atingiram Pernambuco e Paraíba em maio de 2026 provocaram alagamentos em lavouras, com potencial impacto na produtividade. Além disso, há probabilidade de 61% de formação do fenômeno El Niño entre maio e julho de 2026, o que pode trazer chuvas irregulares e abaixo da média na região.

Mesmo com essas incertezas, a pesquisadora Maria de Fatima Vidal, autora do estudo e coordenadora de Estudos e Pesquisas do Etene, avalia que a modernização é o caminho. “A adoção de tecnologias, aliada a um bom gerenciamento empresarial, constitui condição fundamental para tornar o setor sucroenergético nordestino competitivo frente às demais regiões produtoras de açúcar e etanol do país”, afirma.


Fonte: Banco do Nordeste do Brasil / Etene. Produção de açúcar no Nordeste deve se recuperar com mais oferta de cana e avanço tecnológico no campo. Portal BNB, 20/07/2026.

Pesquisa completa: VIDAL, Maria de Fatima. Açúcar. Caderno Setorial Etene, Ano 11, nº 434, maio de 2026. Banco do Nordeste do Brasil.

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