Enquanto a gestora Kaszek avança na captação de um fundo de US$ 600 milhões de olho em nomes como a Wellhub (antiga Gympass), a Smart Fit consolida uma virada de modelo com o TotalPass. A plataforma de benefícios corporativos dá acesso não apenas à própria rede, mas também a concorrentes diretos, transformando a relação com o usuário corporativo.
A operação do TotalPass atingiu 2,2 milhões de usuários no Brasil e no México no segundo trimestre, alta de 70% em doze meses. A receita do braço corporativo bateu R$ 230 milhões, avanço de 47%, operando com margem bruta de 84,7%. Hoje, a vertical já representa 11% da receita total da Smart Fit e 17% do lucro bruto da companhia, reunindo cerca de 44 mil academias credenciadas. Em participação de mercado, o serviço responde por 35% dos usuários ativos da categoria no Brasil e 79% no México.
O formato funciona com base em escalabilidade digital, sem a necessidade de novos pontos comerciais físicos, reformas ou custos de aluguel. Essa estrutura permite uma expansão mais acelerada do que a operação das unidades físicas.
Apesar do salto operacional do TotalPass, os números consolidados do grupo trouxeram reação negativa na bolsa, com queda de 7,82% nas ações devido a uma geração de caixa pressionada e lucros gerais abaixo das expectativas do mercado. O braço digital amplia margens, mas a estrutura pesada de custos das academias físicas ainda dita o ritmo financeiro do grupo.
O movimento da Smart Fit sinaliza como empresas tradicionais de varejo físico podem monetizar inteligência comercial e canais B2B, dissociando o crescimento de receita da expansão de infraestrutura pesada.