Com o cenário de juros elevados e incertezas globais, a volatilidade do mercado tem desafiado investidores — mas também aberto espaço para novas oportunidades na Bolsa.
Para Felipe Paiva, diretor da B3, o momento exige menos reação e mais estratégia. “Costumo dizer que é nos momentos de volatilidade que surgem as grandes oportunidades. Não significa colocar todo o patrimônio em bolsa ou renda fixa, mas entender a importância da diversificação”, afirma.
A situação contrasta com o nível elevado da taxa básica de juros, que mantém a renda fixa atrativa. Ainda assim, segundo Paiva, olhar apenas para esse fator pode limitar decisões de investimento.
“Fala-se muito da taxa de juros a 15% ao ano, mas é preciso olhar também para o desempenho da Bolsa nos últimos meses. Muitas vezes, o investidor opta por ficar apenas na renda fixa por conta desse retorno, mas quem não alocou parte dos recursos na Bolsa no ano passado acabou perdendo uma valorização próxima de 30%”, conta.
Além de alternativa de investimento, a Bolsa cumpre a função de financiar empresas e impulsionar crescimento. O Brasil está entre as maiores bolsas do mundo, conectando investidores a companhias que precisam captar recursos para investir, ampliar a produção e gerar empregos.
O mercado brasileiro também tem atraído capital internacional. “A B3 recebeu um fluxo estrangeiro muito forte nos primeiros meses do ano. Esse investidor olha para o Brasil e, mesmo com adversidades, enxerga oportunidades”, diz Paiva.
Segundo ele, esse comportamento ajuda a explicar por que momentos de maior instabilidade devem ser vistos como janela para ajustes na carteira. “Estar atento aos investimentos permite identificar oportunidades e buscar retornos mais consistentes ao longo do tempo”, aconselha.