Cimed lidera as críticas ao Cade contra a compra da Medley

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, ouviu 65 empresas do setor farmacêutico para avaliar o impacto da aquisição da Medley pela EMS no mercado de genéricos. Entre todas as respostas, a Cimed foi a mais dura contra o negócio. A informação é do NeoFeed, que teve acesso aos documentos enviados ao órgão.

Entre o fim de junho e o início de julho, o Cade encaminhou às companhias um questionário com 21 perguntas de complexidade variada. Uma delas pedia que cada empresa apontasse os impactos da aquisição da Medley pela NC Farma, holding que controla a EMS, sobre suas próprias atividades. A maior parte das farmacêuticas pediu acesso restrito às informações. Eurofarma, Hypera e Torrent estão nesse grupo.

A Cimed foi na direção oposta e detalhou suas objeções. A empresa argumenta que a operação amplia o poder de barganha da EMS, reduz a concorrência e tende a pressionar preços e serviços no segmento de genéricos.

Outras concorrentes reforçaram a preocupação com a concentração. A União Química avaliou que, com a compra, a EMS passaria a deter fatia relevante do mercado e ganharia influência sobre a formação de preço de moléculas importantes. A Althaia também sinalizou risco de concentração.

A EMS rebate os argumentos. Para a companhia, do Grupo NC, a concentração não é excessiva, já que o mercado brasileiro de genéricos é bastante fragmentado, com dezenas de grupos relevantes em operação.

O negócio foi anunciado em março, quando a EMS acertou a compra da Medley, marca de genéricos da francesa Sanofi, por cerca de US$ 600 milhões, segundo o NeoFeed. A análise segue pelo rito ordinário no Cade, com decisão esperada ao longo de 2026.

Fonte: NeoFeed

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