Acordo em troca de ações dá à australiana o controle do projeto Caldeira, no Sul de Minas, maior depósito conhecido de argila iônica fora da China
A australiana Lynas Rare Earths, maior produtora de terras raras fora da China, anunciou na quarta-feira (30.set) acordo para adquirir a Meteoric Resources, dona do projeto Caldeira, no Sul de Minas Gerais. A operação avalia a Meteoric em cerca de US$ 672 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões, segundo o Poder360.
O negócio foi estruturado integralmente em ações. Para cada papel da Meteoric, os acionistas receberão 0,0207 ação da Lynas, o que implica preço de A$ 0,286 por ação e prêmio de 68,4% sobre o último fechamento. O conselho da Meteoric recomendou a aprovação por unanimidade, condicionada a parecer de avaliador independente e à ausência de proposta superior. A transação ainda depende de aprovação judicial e das etapas regulatórias.
Além da compra, a Lynas vai abrir uma linha de crédito provisória de até A$ 110 milhões para sustentar o desenvolvimento do Caldeira enquanto o negócio não é concluído.
O ativo em jogo
O Caldeira é o maior recurso de terras raras em argila iônica conhecido fora da China entre os reportados pelo código australiano JORC, com elementos leves e pesados. Segundo a Meteoric, o recurso mineral estimado é de cerca de 1,6 bilhão de toneladas, distribuído em aproximadamente 193 quilômetros quadrados.
O projeto ainda está em fase de estudo. O investimento necessário para colocá-lo em operação pode superar US$ 500 milhões, e a Lynas avalia construir capacidade de processamento no Brasil.
Para o presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, a combinação do Caldeira com a mina de Mt Weld, na Austrália, reforça a posição da companhia na cadeia global. A empresa diz que a expansão para um novo país atende à meta de ganhar escala e recursos até 2030.
Reação dividida no mercado
As ações da Meteoric chegaram a subir 56% após o anúncio, enquanto as da Lynas recuaram 6,4%. Parte dos analistas questionou o retorno para os acionistas da compradora. A operação ocorre durante uma troca de comando na Lynas, que perdeu a CEO Amanda Lacaze em junho e pretende anunciar o novo presidente-executivo antes da assembleia anual de 25 de novembro.
Brasil no centro da disputa
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, estimada em cerca de 11 milhões de toneladas, ou 15% do total global. O acordo da Lynas é o segundo grande movimento estrangeiro no setor em 2026. Em abril, a norte-americana USA Rare Earth comprou a Serra Verde, dona da única mina de terras raras em produção no país, em Minaçu (GO), por US$ 2,8 bilhões.
A corrida também alcança o Nordeste. A Axel REE mantém áreas de terras raras no Piauí, e o projeto Itarantim, da IMC Rare Earths, fica na divisa entre Bahia e Minas Gerais. A definição de onde será feito o processamento dos concentrados deve pesar sobre a demanda por energia, infraestrutura portuária e corredores de escoamento nos próximos anos.
Com informações de Poder360, Reuters e Mining Technology. Foto: Reprodução