Ceará no centro da economia do mar: Ocean Summit 2026 debate logística, energia offshore e exportação
O Ceará tem vocação marítima reconhecida e, cada vez mais, transforma essa posição geográfica em vantagem econômica concreta. O Ocean Summit 2026, realizado em Fortaleza pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), colocou em debate justamente esse potencial: portos, energia offshore, cabos submarinos de dados, aquicultura e exportação de pescados como pilares de um novo ciclo de desenvolvimento para o estado.
O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, destacou que a posição do Ceará no mapa é um diferencial competitivo real. O estado concentra hoje uma infraestrutura logística que combina o Porto do Mucuripe, rotas de cabos submarinos de fibra óptica que conectam o Brasil à Europa e à América do Norte, e capacidade instalada para energia offshore em expansão. Não é coincidência que o Ceará seja o maior exportador de pescados do Brasil, um resultado direto da cadeia produtiva marítima consolidada ao longo dos anos.
Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria Ceará, apresentou dados que reforçam esse cenário: a economia azul já representa quase 3% do PIB estadual e emprega cerca de 8 mil trabalhadores formais. Com os avanços previstos em atividades portuárias e energia offshore, esse número tende a crescer nos próximos anos.

Cabos submarinos, offshore e o novo mapa logístico
Um dos pontos centrais do evento foi a discussão sobre como a infraestrutura submarina e a energia renovável offshore podem reposicionar o Ceará no cenário nacional e internacional. O estado já é ponto de chegada de importantes cabos submarinos de telecomunicações, o que cria uma camada estratégica que vai além da pesca: conectividade digital de alta capacidade para exportação de dados, serviços e processamento em escala.
A energia offshore, por sua vez, abre espaço para atrair indústrias intensivas em energia limpa, aproveitando os ventos do litoral cearense para gerar competitividade na cadeia produtiva local.
Gunter Pauli e a metodologia para transformar potencial em projeto
O economista belga Gunter Pauli, criador do conceito de Economia Azul, conduziu a masterclass de abertura e propôs à FIEC a construção de um portfólio de oportunidades concretas para o Ceará. Pauli já mobilizou mais de 5 bilhões de euros em mais de 200 projetos ao redor do mundo usando a metodologia ZERI (Zero Emissions Research and Initiatives), que une crescimento econômico, inovação e recuperação ambiental.
Na visão do especialista, o principal obstáculo para o avanço da economia do mar não é a ausência de recursos, mas a falta de conhecimento sobre o que é possível fazer. A proposta é conectar as oportunidades identificadas no Ceará a modelos de negócio com maior impacto e retorno mais rápido.

Agenda articulada para os próximos anos
O Ocean Summit 2026 reuniu empresários, secretários de Estado, representantes do Ministério da Pesca, acadêmicos e lideranças industriais na Casa da Indústria, com suporte do Sebrae, do Hub ODS Ceará e da Câmara Setorial de Economia Azul da ADECE. O objetivo declarado é criar uma agenda conjunta entre setor público, privado e academia para que as riquezas marítimas do estado se convertam em projetos com impacto real na economia cearense.
Fotos: Laura Guerreiro/Sistema FIEC