Nova geopolítica global pressiona logística e amplia oportunidades para o Brasil

A nova configuração geopolítica mundial deve provocar mudanças profundas nas cadeias de suprimentos e abrir novas oportunidades para o Brasil no setor logístico. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (15), durante o Interlog Summit, evento realizado paralelamente à Intermodal South America 2026, em São Paulo.

Segundo o economista e diplomata Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o modelo tradicional de globalização perdeu força. Em seu lugar, surge um cenário marcado por tensões políticas, disputas comerciais e reconfiguração das cadeias produtivas.

Durante a palestra “Geopolítica em Transformação: Redesenhando a Economia Global e as Cadeias de Suprimentos”, Troyjo afirmou que a geopolítica voltou a influenciar diretamente o comércio internacional.

Segundo ele, há cerca de duas décadas, as cadeias produtivas eram mais integradas e distribuídas entre vários países. Agora, no entanto, decisões políticas e conflitos internacionais voltam a afetar a logística global.

Além disso, o especialista destacou o conceito de “microgeopolítica”. Nesse cenário, decisões de governos e líderes nacionais passam a ter impacto imediato sobre a economia mundial.

Estados Unidos e China disputam protagonismo

Ao analisar os Estados Unidos, Troyjo citou o chamado “efeito Trump”. Segundo ele, apesar das tensões políticas, o país continua atraente para investimentos por causa da força de suas multinacionais, da redução de impostos e da desregulamentação.

Por isso, a expectativa é de uma nova onda de investimentos logísticos nos Estados Unidos nos próximos anos.

Em relação à China, o economista apontou um cenário diferente. Segundo Troyjo, o país enfrenta excesso de capacidade produtiva, principalmente em setores como infraestrutura, manufatura e veículos elétricos.

Além disso, os mercados internacionais passaram a impor mais barreiras à produção chinesa. Dessa forma, a China deve buscar novos segmentos estratégicos para manter sua influência global, especialmente em áreas ligadas a minerais críticos e tecnologia.

Outro fator que deve impactar o setor é o crescimento populacional de países emergentes, como Índia, Paquistão, Indonésia e Nigéria.

Segundo Troyjo, o aumento da população e da renda nesses países deve ampliar a demanda por alimentos, energia, infraestrutura e transporte. Por esse motivo, a logística tende a ganhar importância ainda maior nas próximas décadas.

Ao mesmo tempo, o economista afirmou que o Brasil pode assumir posição estratégica nesse novo cenário. Isso porque o país faz parte do grupo de economias emergentes conhecido como E7 e possui forte potencial de expansão na produção de alimentos.

No entanto, Troyjo alertou que o Brasil só conseguirá aproveitar essa oportunidade se ampliar seus investimentos em infraestrutura logística.

Infraestrutura será decisiva para o Brasil

Segundo o especialista, o crescimento da demanda mundial por alimentos deve beneficiar diretamente o Brasil. Entretanto, a falta de infraestrutura pode limitar a competitividade do país.

Por isso, Troyjo defendeu investimentos em rodovias, portos, ferrovias e armazenagem. Além disso, ele destacou que recursos estratégicos, como água, energia, petróleo e alimentos, terão peso cada vez maior na economia global.

Esses recursos, segundo o economista, serão fundamentais para sustentar a inovação tecnológica e a competitividade internacional. Dessa maneira, países que conseguirem integrar recursos naturais e logística eficiente terão vantagem nos próximos anos.

Empresas apostam em soluções logísticas integradas

Diante desse cenário mais instável, empresas presentes na Intermodal 2026 passaram a apostar em soluções mais integradas, tecnológicas e adaptáveis.

A ES Logistics, por exemplo, apresentou soluções multimodais voltadas à simplificação de operações complexas. Além disso, a empresa destacou o sistema Pratiko, que oferece dados em tempo real e maior visibilidade das operações.

Já o Grupo Krueger levou à feira um portfólio integrado que reúne despacho aduaneiro, consultoria tributária, transporte, armazenagem e sistemas de gestão. Dessa forma, a empresa busca atender à crescente demanda por operações mais eficientes.

A Timbro também destacou sua atuação em importação e exportação para grandes multinacionais. Além disso, a companhia apresentou o Timbro Access, plataforma que oferece dashboards e relatórios em tempo real para ampliar o controle das operações logísticas.

Esta matéria utiliza a fonte da Intermodal South America como base para a construção do conteúdo.

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