O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está analisando um possível investimento direto no capital da Galvani Fertilizantes. A informação foi apurada pelo Valor Econômico. Até o momento, nenhuma decisão foi tomada sobre um eventual aporte.
O interesse do banco se justifica pelo alinhamento da empresa com áreas prioritárias da instituição: minerais críticos, fertilizantes e descarbonização. A Galvani explora fosfato para produção de fertilizantes e distribui adubos na região do Matopiba, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A análise ainda está em fase intermediária. O processo segue o fluxo padrão do BNDES, em que empresas se inscrevem voluntariamente no site do banco para pleitear aportes, passando por avaliações de diferentes equipes antes de qualquer decisão colegiada.
Quem é a Galvani
Controlada por uma holding da família Galvani, a empresa registrou receita líquida de R$ 1,37 bilhão em 2025, com lucro líquido de R$ 11 milhões e dívida líquida de R$ 475,1 milhões. Entregou 726 mil toneladas de fertilizantes ao mercado no ano passado e detém 24,6% de participação nas regiões em que atua.
A companhia opera uma unidade de mineração em Angico dos Dias (BA) e uma misturadora em Luiz Eduardo Magalhães (BA). No segundo semestre de 2026, deve entrar em operação uma nova jazida de fosfato em Irecê (BA). A empresa também estuda a exploração da jazida de Santa Quitéria (CE), considerada a maior reserva brasileira de fosfato associado a urânio, em parceria com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
O que o BNDES disse
O banco não confirmou a possibilidade de investimento direto na Galvani, mas reafirmou que apoia a produção nacional de fertilizantes como forma de ampliar a competitividade da indústria brasileira, fomentar a agricultura de baixo carbono e garantir soberania alimentar.
O banco citou ainda uma contratação aprovada em março: R$ 100 milhões liberados para a Galvani via linha BNDES Máquinas e Serviços, destinados à aquisição e comercialização de equipamentos industriais e bens de automação.
Estratégia do BNDES para fertilizantes
Em junho de 2025, a BNDESPar, subsidiária de participações do BNDES, anunciou sua estratégia de investimentos diretos em empresas em áreas prioritárias. O primeiro aporte foi realizado no Grupo Santa Clara, de Ribeirão Preto (SP), com R$ 114 milhões em troca de 19,9% da companhia, que produz fertilizantes especiais e bioinsumos.
O banco tem R$ 10 bilhões disponíveis para investimentos via participação direta ou fundos. As teses prioritárias incluem agricultura sustentável, descarbonização, economia circular, saúde, tecnologia da informação, minerais críticos e fertilizantes minerais.
Contexto de mercado
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, totalizando uma demanda de 49 milhões de toneladas em 2025. O conflito no Oriente Médio pressionou especialmente os preços dos nitrogenados, como a ureia, produzidos a partir do gás natural da região, o que pode levar agricultores a reduzir o uso do insumo.
O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) prevê que a produção nacional seja capaz de atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050, reduzindo a dependência estrutural de importações.
Fonte: Valor Econômico
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