Ceará terá a primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil

Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, vai receber a primeira biofábrica de água de coco em pó do país. A unidade, operada pela ACP Nutrition, terá capacidade para processar cerca de 2 mil litros de matéria-prima por dia e representa a chegada à escala industrial de uma tecnologia desenvolvida ao longo de mais de 40 anos por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

O projeto transforma a água de coco em pó (ACP), formato que amplia a vida útil do produto, facilita o transporte e reduz perdas logísticas. Além disso, abre mercado para aplicações em nutrição clínica, suplementos, alimentos funcionais e programas públicos de alimentação.

Pesquisa de quatro décadas vira produto

A tecnologia nasceu nos laboratórios da Faculdade de Veterinária da Uece, a partir dos estudos liderados pelo professor emérito José Ferreira Nunes, referência nacional em biotecnologia da reprodução animal. As pesquisas começaram nos anos 1980, inicialmente voltadas à conservação de sêmen caprino e ovino com uso de água de coco. Com o avanço dos trabalhos, a aplicação se expandiu para nutrição clínica, regeneração de tecidos, conservação de órgãos e nanomedicina.

O principal produto previsto para a biofábrica é o ACP Lacte, composto nutricional que combina água de coco em pó e leite de cabra. Segundo a Uece, o alimento foi desenvolvido para atender crianças, idosos e pacientes hospitalizados em situação de vulnerabilidade nutricional. As aplicações incluem dietas líquidas hospitalares, protocolos de jejum pré-operatório, merenda escolar e reposição hidroeletrolítica para atletas.

Mercado global em expansão

A biofábrica chega em um momento de forte crescimento do mercado mundial de água de coco. Segundo a Fortune Business Insights, o setor movimentou US$ 4,55 bilhões em 2025 e pode alcançar US$ 11,10 bilhões até 2034. Já a Grand View Research projeta avanço de US$ 6 bilhões em 2026 para US$ 19,3 bilhões em 2033.

Ao transformar a bebida em pó, o projeto amplia as possibilidades comerciais para indústrias de alimentos, suplementos, hospitais e programas públicos de nutrição, além de fortalecer a cadeia produtiva do coco no Nordeste.

Conexão com a caprinocultura e a agricultura familiar

A escolha de Jaguaretama não é casual. O município tem forte tradição na caprinocultura leiteira, atividade relevante para pequenos produtores do semiárido. O Ceará possui o 4º maior rebanho de caprinos e ovinos do Brasil, com cerca de 3,8 milhões de cabeças em 2024, segundo a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do estado. A implantação da unidade envolve parcerias com o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale).

O projeto une coco, leite de cabra, agricultura familiar e biotecnologia em um modelo que agrega valor à produção local e pode posicionar o interior cearense como referência em inovação agroindustrial.


Fonte: Ceará mira mercado bilionário com primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil. CompreRural, 09/07/2026. Por Ana Gusmão.

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