FIEC busca mercado europeu para exportação de pescados do Ceará

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) deu o primeiro passo de uma estratégia de aproximação comercial com a Europa voltada à cadeia de pescados. Entre os dias 13 e 17 de julho, o presidente da entidade, Ricardo Cavalcante, cumpriu uma agenda de visitas institucionais em Portugal e na região da Galiza, na Espanha, com foco na retomada das exportações de pescados do Ceará para o mercado da União Europeia.

O movimento acontece em um cenário de reordenamento do comércio internacional. De um lado, o avanço do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia abre um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. De outro, cresce o protecionismo em economias como a dos Estados Unidos, que confirmaram na última quinta-feira, 15 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 22 de julho.

Nesse contexto, a FIEC busca posicionar o Ceará para capturar oportunidades da ampliação das relações entre os dois blocos, em uma cadeia na qual o Estado tem tradição exportadora. As reuniões técnicas envolveram empresas, órgãos públicos e centros de pesquisa de referência nos setores pesqueiro e marítimo. A agenda foi conduzida ao lado de Miguel Marques, CEO da Skipper & Wool.

Agenda em Lisboa

Em Lisboa, Cavalcante visitou o Grupo ETSA, referência na transformação de subprodutos do pescado e de outros resíduos animais em novos insumos, com modelo de negócios baseado em economia circular. O encontro foi com o administrador executivo André Almeida. A programação na capital portuguesa incluiu ainda a Docapesca, empresa pública responsável pela primeira venda de pescado em Portugal Continental, onde o presidente da FIEC foi recebido pelo diretor adjunto de Inovação e Marketing, Filipe Pedro. Também houve reunião na Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), com o diretor-geral, vice-almirante António Coelho Cândido, e no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com o presidente José Guerreiro, onde conheceu a estrutura de modelagem oceânica e atmosférica aplicada ao monitoramento ambiental.

Tecnologia e economia do mar

No Porto, a agenda concentrou-se no INESCTEC.OCEAN, unidade de investigação dedicada à economia azul, com atuação em robótica marinha, monitoramento ambiental e soluções para exploração sustentável dos recursos oceânicos. A recepção foi feita pelo professor Eduardo Silva. Em seguida, a comitiva seguiu para Vigo, na Galiza, um dos principais polos pesqueiros da Europa. O Porto Pesqueiro de Vigo reúne 357 empresas, gera cerca de 6 mil empregos e movimenta faturamento anual superior a 3 bilhões de euros, sendo o maior ponto de desembarque de peixe fresco do continente.

Indústria de processamento

A agenda também contemplou a Gelpeixe, líder no mercado português de transformação e congelamento de pescados. Fundada em 1977, a empresa atua no processamento de peixes, mariscos e moluscos congelados. O presidente da FIEC reuniu-se com o administrador Manuel Tarré para conhecer a operação industrial.

Segundo a FIEC, o roteiro é o primeiro passo de uma estratégia que deve se desdobrar em novas iniciativas para fortalecer a indústria cearense de pescados e sua inserção no mercado europeu.

Fonte: Sistema FIEC

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