A infraestrutura logística do Ceará ganha novo impulso com a aprovação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) no interior do Estado. As obras da ZPE de Quixeramobim devem começar até o fim de 2026, com investimento inicial de R$ 20 milhões para estruturação do complexo que integrará produção industrial à rede de escoamento da Transnordestina e Porto do Pecém.
A confirmação veio do empresário Amarílio Macêdo, um dos responsáveis pelo planejamento da ZPE, durante o evento de entrega dos Lotes 4 e 5 da ferrovia Transnordestina no Sertão Central. Segundo ele, o projeto será encaminhado ao Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) ainda neste segundo semestre, com aprovação esperada até o fim de 2026.
Integração logística com Transnordestina redefinirá custos
A ZPE representa uma estratégia de potencialização máxima da Transnordestina. Enquanto a ferrovia transportará grãos como milho e soja direto para o Porto do Pecém, o complexo industrial atrairá empresas que transformem essas matérias-primas em produtos de maior valor agregado destinados à exportação. Isso deve gerar um “nível de emprego gigantesco”, conforme avalia Macêdo.
Um dado impacta diretamente a competitividade regional: com a operação da Transnordestina, espera-se redução de 60% no custo logístico do transporte de grãos. Essa economia pode fortalecer significativamente a bacia leiteira cearense, setor que depende de importações custosas de ração animal produzida a partir dessas commodities.
Quixeramobim e Iguatu lideram; expansão para quatro cidades
Quixeramobim e Iguatu são os municípios com processos mais avançados de implementação de ZPE. Além deles, Quixadá e Tauá estão na rota de expansão dessas zonas no interior do Estado.
Sílvio Carlos Ribeiro, secretário-executivo do agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), projetou cronograma otimista: “O Pecém crescendo e a Transnordestina pronta, vamos chegar com essas infraestruturas. Em dois anos, vamos ter pelo menos alguma infraestrutura de ZPE importante já em funcionamento.”
Atração de investimentos estrangeiros e diversificação
A zona de processamento em Quixeramobim deve atrair a instalação de empresas estrangeiras em segmentos de transformação industrial, manufatura e beneficiamento de commodities. Esses investimentos resultem em movimentação econômica expressiva não apenas para Quixeramobim, mas para todo o Sertão Central, que ganha posicionamento estratégico na cadeia logística nacional.
O projeto confirma a estratégia estadual de posicionar o Ceará não como fornecedor de matéria-prima, mas como hub de transformação industrial integrado à logística global via Transnordestina e Porto do Pecém.
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Ricardo Stuckert/PR